O labirinto de túneis de serviço sob a estação central de Berlim era abafado, úmido e iluminado apenas por lâmpadas industriais, fracas que piscavam esporadicamente. O som abafado dos trens acima vibrava pelas paredes de concreto bruto, criando uma atmosfera claustrofóbica.
Hanna avançou com uma facilidade impressionante, movendo-se pelas sombras como um gato selvagem. Atrás dela, Arthur mantinha o passo firme, seu físico fortalecido permitindo que ele acompanhasse o ritmo acelerado sem demonstrar cansaço. A eficiência de suas habilidades recentes dava-lhe uma tranquilidade incomum para alguém que, dias antes, era apenas uma guarda raso de nível básico na CIA.
Após dez minutos de caminhada rápida por tubulações e corredores secundários, Hanna parou bruscamente diante de uma porta de metal pesada marcada com um sinal de advertência contra incêndio. Ela colocou a orelha contra a superfície fria, ouvindo atentamente o ambiente do outro lado.
— Limpo — sussurrou ela, empurrando a porta levemente para fora.
Eles emergiram em um galpão abandonado e espaçoso nos arredores industriais da cidade, onde pilhas de caixas vazias e lonas empoeiradas serviram de esconderijo improvisado. No centro do galpão, uma figura solitária estava de pé perto de uma janela quebrada, observando o movimento da rua com binóculos de longo alcance.
Era Erik Heller.
O homem exibia o rosto marcado pelo tempo, cicatriza sutis de uma vida inteira de clandestinidade e fuga, e a postura tensa de um soldado que nunca descansava. Na história original, Hanna reencontrava Erik sozinha após dias de tensão extrema e perseguição implacável. Mas o barulho leve de passos atrás dele fez Erik girar o corpo em uma fração de segundo, sacando sua pistola com precisão letal e apontando-a diretamente para o peito de quem quer que estivesse entrando.
A arma travou no ar quando ele viu Hanna. Mas, logo em seguida, os olhos duros de Erik dispararam para o lado, focando em Arthur, que manteve as mãos visíveis, mas a postura completamente relaxada e pronta para reagir.
— Quem é esse? — a voz de Erik era grave, áspera e cortante como vidro, carregada de desconfiança pura. Ele olhou para Hanna, esperando uma explicação. — Você trouxe um rastro da CIA direto para o nosso refúgio, Hanna?
Hanna deu um passo à frente, entrando na linha de visão direta entre Erik e Arthur. Surpreendentemente, ela não introduziu uma postura defensiva contra Erik, mas fez um gesto breve com a cabeça, diminuindo o campo de visão da rua.
— Ele não é um rastro. Ele eliminou a equipe de contenção no Camp G e eu tirei de lá — disse Hanna, sua voz direta e sem rodeios. — No deserto, ele cobriu minha retaguarda. Sem ele, eu não teria chegado até aqui.
Erik estreitou os olhos, avaliando Arthur de cima a baixo. Sua experiência como agente de elite permitiu-lhe ver além da farda improvisada; ele notou uma postura de combate equilibrada, a ausência de pânico e a forma como Arthur controlava a respiração.
— Guarda de Utrax? — Erik perguntou friamente, mantendo a arma firme, embora o possa ter descido alguns centímetros.
— Ex-guarda. Digamos que descobrimos a podridão daquela instalação um pouco antes de decidirem que eu era decidida — respondeu Arthur com calmo pragmatismo, mantendo a voz firme para demonstrar que não representava uma ameaça. — E se você acha que Marissa Wiegler vai parar só porque cruzamos a fronteira, você está enganado. Os esquadrões dela já estão mapeando Berlim.
Erik encarou Arthur por longos segundos, medindo os riscos. A presença de um aliado competente — e que conhecia os protocolos internos da CIA — não era algo que se descartasse facilmente, especialmente agora que a caçada ao Projeto Utrax havia entrado em uma fase crítica.
Com um suspiro pesado, Erik guardou a arma no frio e virou-se para uma mesa improvisada cheia de mapas e suprimentos médicos.
— Se o que diz é verdade, não temos muito tempo antes que eles descubram este galpão — disse Erik, pegando uma rádio de comunicação e verificando as frequências criptografadas. — Precisamos nos mover para o esconderijo na floresta antes que o cerco seja fechado de vez.
Hanna olhou para Arthur de relançamento. O abismo inicial de desconfiança havia dado lugar a uma parceria silenciosa. A loba e sua sombra estavam prontas para o que viesse a seguir.