O tempo parecia ter congelado enquanto a notificação azul brilhava diante dos olhos de Arthur. Cem pontos de atributos. Para um guarda raso da CIA, aquilo era o equivalente a ganhar na loteria genética.
Ele não hesitou. Com um pensamento rápido, ele acessou o painel do [Sistema de Multiplicação 100x]. Ele sabia que Hanna não ficaria muito tempo naquela cela. Na história que ele conhecia, a garota forjava um desmaio, matava a equipe médica e escapava num banho de sangue. O caos estava prestes a começar, e ele precisava estar pronto.
[Alocação de Pontos Concluída] Força: E (10) ➔ C+ (35) Agilidade: E- (8) ➔ B- (48) (Velocidade de Reação Sobre-Humana Menor) Vigor: E (10) ➔ C (30) Percepção: E+ (12) ➔ C+ (37) Inteligência: D- (15) ➔ D- (15) (Sem alterações) [Pontos Restantes: 0]
Assim que confirmou, Arthur sentiu como se estivesse engolindo fogo. Seus músculos se contraíram dolorosamente por uma fração de segundo, rasgando e se reconstruindo mais densos. Sua visão ficou incrivelmente nítida; ele agora conseguia ver os poros no rosto do guarda ao seu lado e ouvir o zumbido elétrico da câmera de segurança acima deles. O peso do fuzil de assalto em suas mãos de repente parecia o de um brinquedo de plástico.
Ele havia saltado do nível de um humano abaixo da média para o ápice de um agente de forças especiais — sua agilidade, em particular, agora beirava o sobre-humano.
Dentro da cela de vidro, a porta sibilou. Um médico, acompanhado por dois guardas armados, entrou para extrair amostras de sangue de Hanna.
Marissa Wiegler assistia a tudo do monitor na sala de controle superior, com os braços cruzados, ostentando um sorriso gélido de vitória.
Agora, pensou Arthur.
Hanna, que parecia sedada, abriu os olhos. Em um movimento fluido e letal que desafiava a física, ela se soltou, agarrou o braço do médico e, com um estalo doentio, usou o peso dele para quebrar o pescoço do homem. Em menos de um segundo, ela chutou a arma de um dos guardas e cravou uma seringa no pescoço do outro.
As sirenes de Camp G gritaram.
— Fogo livre! Matem-na! — berrou o chefe da segurança pelo rádio de Arthur.
Os três guardas ao lado de Arthur ergueram seus fuzis em direção ao vidro para fuzilar a garota. Mas Arthur foi mais rápido.
Sua Agilidade [B-] e Percepção [C+] transformaram os movimentos dos seus colegas em câmera lenta. Ele sacou sua pistola reserva, girou o corpo e disparou três vezes em sucessão perfeita. Puf. Puf. Puf. Os três guardas caíram antes mesmo de tocarem no gatilho.
[Você realizou um abate tático sob pressão extrema.] Proficiência ganha: +5. [Talento Multiplicador 100x Ativado!] Proficiência ganha: +500!
[Nova Habilidade Desbloqueada: Maestria com Armas de Fogo (Rank F)] [Aviso: Devido ao excesso de proficiência, a habilidade evoluiu!] Rank F ➔ Rank D ➔ Rank C- (Nível Agente de Elite).
Arthur chutou a porta de vidro blindado, que estava destrancada, e entrou na cela.
Hanna já estava segurando a arma do guarda morto, apontada diretamente para o meio da testa de Arthur. Seus olhos azuis eram duas pedras de gelo. Não havia gratidão ali. Havia apenas cálculo.
— Eu te disse — Arthur falou, mantendo as mãos visíveis, mas a postura relaxada. — Inimigo em comum. Se atirar em mim, vai alertar o resto da base sobre a sua posição exata. Se vier comigo, eu sei onde ficam as saídas de ar que levam ao deserto.
Hanna não abaixou a arma. Seu dedo apertou levemente o gatilho. Ela era uma fera encurralada, e feras não fazem amigos.
— Você matou seu bando — ela sussurrou, a voz áspera, analisando cada microexpressão no rosto dele. — Por quê?
— Porque a alfa do bando deles, Marissa Wiegler, quer a nós dois mortos agora — Arthur respondeu, jogando um cartão de acesso nível 4 aos pés dela. — Confie em mim apenas o suficiente para sairmos deste buraco. Depois, você decide se me mata.
Hanna olhou para o cartão, depois para ele. O sistema de Arthur permanecia em silêncio; ele não lia mentes nem media lealdade. Mas os instintos recém-aprimorados de Arthur notaram a mudança: a respiração dela estabilizou ligeiramente, e o cano da arma baixou cerca de dois centímetros. Era um acordo silencioso. Uma trégua de sobrevivência puramente transacional.
— Câmeras — ela disse secamente.
— Exato. Eles já estão vindo.
Na sala de controle, Marissa Wiegler estava pálida, inclinada sobre os monitores. Seus olhos não estavam apenas na prisioneira prodígio. Estavam no guarda de uniforme padrão que acabara de executar seu próprio esquadrão com uma eficiência aterrorizante.
— Quem diabos é aquele? — Marissa sibilou, a fúria distorcendo sua máscara de frieza. — Ele é um infiltrado? Um traidor? Quero os dois mortos! Fechem o Setor 4!
No corredor, as portas blindadas começaram a descer. Um esquadrão tático de seis homens da CIA, fortemente armados, virou a esquina.
Arthur não recuou. Sentindo o poder fluir por suas veias, ele avançou. Hanna moveu-se pelo flanco direito, rápida como uma sombra.
Arthur deslizou pelo chão de cimento, erguendo sua arma. Com a [Maestria com Armas de Fogo Rank C-], sua mira parecia guiada por um instinto visceral. Ele disparou rajadas curtas e precisas, derrubando três agentes em segundos, atingindo as brechas de seus coletes.
Hanna usou o fogo de cobertura de Arthur para saltar na parede, caindo sobre um dos agentes e quebrando seu braço antes de usar a arma dele contra os dois últimos.
Quando a fumaça baixou, os seis agentes de elite da CIA estavam no chão.
Hanna olhou para Arthur. Houve um minúsculo, quase imperceptível, brilho de surpresa em seus olhos. Ele não era um peso morto. Ele lutava quase tão rápido quanto ela.
[Sobrevivência em Combate Intenso de Curto Alcance detectada.] Proficiência ganha: +2. [Talento Multiplicador 100x Ativado!] Proficiência ganha: +200! [Habilidade Desbloqueada: Combate Corpo a Corpo Militar (Rank F) ➔ Evoluído para (Rank D+)]
Arthur ignorou a tela flutuante. O que realmente importava era a linguagem corporal da garota à sua frente. Pela primeira vez desde que a viu, Hanna virou as costas para ele enquanto checava o corredor. Ela havia parado de tratá-lo como a ameaça primária da sala.
Era um pequeno passo, mas com uma loba solitária, já era uma vitória imensa.
— Por aqui — Arthur comandou, correndo em direção à tubulação de manutenção que ele sabia que levava à superfície.
Hanna o seguiu de perto, cobrindo a retaguarda. Acima deles, a grade de metal do poço de ventilação cedeu com um chute de Arthur. O vento frio e cortante do deserto marroquino invadiu o túnel, trazendo o cheiro de liberdade.
E, para Arthur, o gosto da verdadeira caçada que estava apenas começando.