O vento cortante do deserto marroquino chicoteava o rosto de Arthur e Hanna assim que eles rolaram para fora da tubulação de ventilação. A imensidão de areia e rochas estendia-se sob o luar frio, enquanto ao fundo os alarmes abafados de Camp G continuavam ecoando, transformando-se em ruídos distantes.
Arthur respirou fundo o ar seco. Seus novos atributos mantinham seus pulmões estáveis e seu corpo aquecido apesar da queda brusca de temperatura.
Hanna já estava em pé. Seus olhos varriam o horizonte com uma precisão cirúrgica, os músculos tensos como cordas de violão prontas para estourar caso qualquer veículo militar aparecesse nas dunas. Ela não disse uma palavra, mas deu dois passos em direção ao sul, indicando que conhecia a direção básica para longe da instalação principal.
[Você sobreviveu à zona de contenção e adaptou-se ao ambiente inóspito.] Proficiência ganha: +1. [Talento Multiplicador 100x Ativado!] Proficiência ganha: +100!
[Habilidade Desbloqueada: Sobrevivência Extrema (Rank F) ➔ Evoluído para (Rank D)] (Efeito: Reduz o impacto de fadiga, fome e climas extremos sobre o corpo do hospedeiro.)
Arthur olhou para a notificação de relance. A utilidade do sistema em situações reais era assustadora. Ele deu um passo à frente para acompanhar Hanna, mas manteve uma distância respeitosa. Invadir o espaço pessoal de uma máquina de combate recém-libertada era o caminho mais rápido para um corte na garganta.
— Eles vão mandar os rastreadores em menos de vinte minutos — Arthur falou em voz baixa, garantindo que o tom fosse estritamente prático. — O perímetro leste tem menos cobertura, mas as patrulhas de jipes usam sensores térmicos. Precisamos ir pelas fendas das rochas.
Hanna parou por uma fração de segundo. Ela virou levemente o rosto para trás, olhando para Arthur com um misto de cautela e curiosidade fria. Ele não estava implorando por proteção, nem agindo como um superior. Ele estava traçando a rota com a mesma frieza lógica que ela mesma usava.
Sem responder, ela mudou de direção, entrando por uma fenda estreita entre duas formações rochosas escuras que bloqueavam qualquer sinalização térmica vinda da base.
A aceitação silenciosa foi a melhor resposta que ele poderia ter pedido.
Enquanto isso, quilômetros atrás deles, na sala de comando principal de Camp G, o silêncio era mortal.
Marissa Wiegler encarava as telas de monitoramento queimadas e os relatórios de baixas. Seus dedos apertavam a borda da mesa de metal com tanta força que os nós dos dedos estavam brancos. Doze agentes de elite e quatro guardas rasos mortos em menos de três minutos.
— O perímetro foi violado pelo setor norte — relatou um dos operadores de campo, com a voz trêmula. — Encontramos os corpos da equipe de contenção... todos abatidos com tiros precisos nos pontos cegos do colete.
Marissa estreitou os olhos, a mandíbula travada. Não era apenas Hanna. A garota havia sido criada para matar, mas ela precisava de tempo e caos absoluto para causar aquele estrago. Alguém por dentro havia aberto o caminho, executado os tiros cruciais e sumido junto com o alvo.
— Quem estava de plantão no Setor 4 junto com os guardas eliminados? — Marissa perguntou, sua voz cortante como vidro quebrado.
O operador digitou rapidamente no console, puxando os registros de pessoal. Seus olhos se arregalaram levemente.
— Um guarda de Nível 1, senhora... Arthur Vance. Arquivo limpo, histórico sem relevância... Ele sumiu junto com eles.
Marissa deu um passo à frente, um sorriso perverso e gélido desenhando-se em seus lábios. Um peão insignificante que de repente virou o tabuleiro.
— Arthur Vance... — ela sibilou o nome como se fosse um veneno. — Mandem os cães de caça e o esquadrão de reconhecimento aéreo. Eles podem correr pelo deserto o quanto quiserem. Mas vão voltar em uma caixa de zinco.
De volta ao labirinto de rochas, o cansaço parecia não tocar o corpo de Arthur. A nova habilidade de sobrevivência combinada com seu Vigor em nível [C] fazia com que caminhar por quilômetros sob o vento gelado parecesse um passeio matinal.
Hanna, por outro lado, começava a demonstrar o peso das semanas de confinamento e tortura psicológica em Utrax. Sua passada diminuiu levemente o ritmo, e ela apoiou a mão na parede de pedra por um segundo, respirando fundo para mascarar a fraqueza. Ela recusava-se a parecer vulnerável.
Arthur notou a hesitação imediata. Ele parou, tirou o cantil de água de seu cinto tático e o estendeu para ela, sem fazer movimentos bruscos.
— Beba um pouco. Precisamos cruzar a crista antes que o sol nasça, e você não vai conseguir se os seus músculos começarem a ceder por desidratação — disse ele calmamente.
Hanna olhou para o cantil, depois para os olhos de Arthur. Durante longos segundos, o único som foi o assobio do vento nas rochas. Ela avaliou a oferta, buscando qualquer armadilha ou truque mental. Não encontrando nenhum, ela pegou o cantil bruscamente das mãos dele, bebeu um gole rápido e o devolveu, mantendo o olhar fixo no dele.
Desta vez, ela não colocou a mão na arma ao virar-se para continuar andando.
[Você demonstrou utilidade tática e apoio logístico básico.] Proficiência ganha: +2. [Talento Multiplicador 100x Ativado!] Proficiência ganha: +200!
[Habilidade Desbloqueada: Empatia Tática / Leitura de Comportamento (Rank F) ➔ Evoluído para (Rank D-)]
Arthur sorriu de leve. O gelo ao redor da loba estava começando a rachar. E com o vasto deserto à frente e Marissa Wiegler logo atrás, eles precisariam de toda a sinergia possível para sobreviver ao que estava por vir