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Sobrevivendo em Hanna: Meu Sistema 100x

Chapter 7 / 21

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Capítulo 7: Sinais de Alerta

Sobrevivendo em Hanna: Meu Sistema 100x

A noite começou um cair sobre o deserto, transformando o horizonte em um degradê de tons escuros de roxo e azul-marinho. O trailer da família Phillips avançava de forma constante pela estrada de asfalto rachado, balançando suavemente a cada poucos metros.

Dentro da cabine, o clima de descontração parecia um oásis frágil cercado por perigos invisíveis. Sophie e Hanna continuaram sentadas na mesa lateral. Embora Hanna não fosse dada a conversas longas — respondendo apenas com monossílabos ou acenos curtos —, a insistência leve e amigável da adolescente britânica estava, aos poucos, quebrando a cascata grossa da garota criada em cativeiro. Sophie mostrava fotos em seu celular antigo de sua escola em Londres, de festas e de lugares que Hanna jamais ouvira falar.

Hanna olhou para a tela com uma curiosidade contida, seus olhos azuis brilhando à luz fraca do visor. Era um mundo distante, quase de outra realidade, onde jovens se preocupavam com notas, amizades e garotos, em vez de táticas de sobrevivência e venenos.

Do outro lado da mesa, Arthur observava a interação com um olhar analítico. Sua percepção aprimorada captou cada detalhe do ambiente: o balanço do motor, o ritmo da respiração de Hanna e, o mais importante, o reflexo do painel de instrumentos do trailer.

Foi então que um detalhe sutil chamou sua atenção. A rádio comunicadora civil que Sebastian usava para sintonizar frequências locais começou a emitir um chiado estático anormal. Não era a interferência comum do deserto. Era um padrão rítmico de pulsos eletromagnéticos — um varredor de frequências de curto alcance.

A CIA estava usando rastreadores de sinal de rádio celular e de rádio amador na região.

Arthur discretamente se inclinou para frente, baixando a voz o suficiente para que apenas Hanna pudesse ouvir.

— Frequência militar mascarada. Eles usaram varredura de ondas curtas na rodovia principal — murmurou Arthur, mantendo o rosto completamente neutro para não assustar os Phillips.

Hanna parou imediatamente. O brilho de curiosidade em seus olhos sumiu em um microssegundo, substituído pelo foco letal de um predador que descobre o cheiro de armadilha no ar. Ela olhou para a janela escura do trailer. A estrada atrás deles estava vazia no momento, mas a tecnologia de rastreio de Marissa Wiegler fez com que o tempo daqueles veículos estivesse se esgotando rapidamente.

— Quanto tempo? — Hanna sussurrou de volta, os lábios mal se movendo, com a mão direita descendo por reflexo até a barra da jaqueta onde escondia sua faca improvisada.

— Menos de dez minutos antes de encontrarem este trecho da rota — respondeu Arthur calmamente, avaliando as opções. Se saltassem ali, ficariam a pé no meio do deserto escuro. Se ficassem, colocariam a família de Sophie diretamente no fogo cruzado de um navio de elite da CIA.

À frente, Sebastian virou-se levemente para o banco de trás, rindo de alguma piada que Klara havia contado, completamente alheio ao perigo mortal que os seguem de perto.

— Bem, pessoal, daqui a cerca de uma hora chegaremos ao porto de pesca. Estou louco para tomar uma cerveja gelada e esquecer esse calor — disse Sebastian, batendo de leve no volante.

Hanna olhou para Sebastian, depois para Sophie, que sorriu para ela sem notar a tensão súbita que havia feito conta do corpo da garota loira. Pela primeira vez, um conflito silencioso passou pelos olhos de Hanna: o instinto de fugir sozinha para salvar a própria pele versus uma hesitação em pagarcômoda de ver inocentesem o preço por sua causa.

Arthur percebe uma hesitação dela. Ele colocou a mão firmemente sobre a mesa, chamando a atenção de Hanna para si, e disse em um tom firme e seguro:

— Nós não vamos deixá-los na linha de fogo. Quando o cerco se fecha, nós descemos antes do posto de controle e despistamos os perseguidores para o outro lado.

Hanna fitou os olhos de Arthur por alguns instantes. Não houve promessas vazias, nem discursos heroicos. Apenas uma lógica fria de quem protege o flanco do parceiro.

Ela assentiu lentamente com a cabeça, aceitando o plano. Mas, do lado de fora, nas dunas escuras ao sul, os faróis de dois veículos pretos sem identificação acabaram de cortar a escuridão da noite, acelerando diretamente na direção à rota do trailer.

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